fim da escala 6x1

Fim da escala 6×1: uma conquista histórica das ruas!

Foto da capa: João Vitor Rodrigues

Editorial Repórter Popular

O fim da escala 6×1 é a maior mudança na legislação trabalhista desde a Constituição de 1988, mas não veio do governo nem do Congresso, e sim da luta da classe trabalhadora nas ruas.

Essa conquista precisa ser entendida em perspectiva histórica. A jornada de trabalho sempre foi o coração das lutas operárias: em 1886, os trabalhadores de Chicago deram a vida pela jornada de 8 horas, origem do 1º de Maio.

No Brasil, a greve geral de 1917 em São Paulo, com cerca de 50 mil trabalhadores, arrancou a jornada de 8 horas. Em 1943, a CLT consolidou essas conquistas que vieram das lutas concretas da classe trabalhadora nas ruas. Em 1985, a greve dos metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos (SP), reivindicou a redução da jornada de 48 pra 40 horas semanais.

Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, ocorreu a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais. Desde então, passaram-se 38 anos sem nenhuma redução geral da jornada — até agora.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1, aprovada na última quarta-feira (14) por 75 votos a 1 no Senado, é, portanto, a maior mudança na legislação trabalhista desde a Constituição de 1988. Ela reduz a jornada de 44 para 42 horas em 60 dias após a promulgação, com dois dias de descanso remunerado; e para 40 horas após 14 meses, sem redução salarial.

Beneficia cerca de 15 milhões de trabalhadores, com impacto maior sobre mulheres e trabalhadores de baixa renda, principalmente na área de serviços. Mas é fundamental dizer: isso não foi iniciativa do governo Lula (PT) e nem do Congresso.

Nos governos Lula 1 e Lula 2, mesmo com ampla base de apoio no Congresso e com sindicatos aliados, o governo não mexeu nessa pauta. Em 2002, Lula chegou a prometer a jornada de 40 horas em seu programa. Em 2003, criou o Fórum Nacional do Trabalho para discutir o tema. Em 2006, o governo chegou a anunciar que enviaria uma proposta incluindo as 40 horas, porém nada avançou.

A pauta ficou parada por décadas no Congresso — a PEC 231/1995, que tratava da redução da jornada máxima de trabalho, por exemplo, dormiu anos na gaveta.

O que destravou tudo foi a pressão de baixo. Em 2023, o vídeo viral do atendente de farmácia Rick Azevedo denunciando a escala 6×1 como “escravidão” deu origem ao movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que coletou mais de 3 milhões de assinaturas.

Em 2024, a deputada Erika Hilton (PSOL) transformou isso em PEC. Em 2024, 2025 e 2026, trabalhadores foram às ruas, impulsionaram a pauta e meterem pressão no governo e congresso.

Mobilizações em 21 cidades de 14 estados encurralaram o Congresso e forçaram a votação. A pressão da classe trabalhadora nas ruas foi tanta que o senador Hamilton Mourão (Republicanos), ex-vice de Jair Bolsonaro (PL), foi o único voto contrário — e nem a direita teve coragem de se opor abertamente.

A lição é clara: os direitos da classe trabalhadora nunca são concedidos pelos de cima, são conquistados pelos de baixo. O 1º de Maio não é um feriado comemorativo, é a data da luta pela redução da jornada. E o fim da escala 6×1 é a prova viva de que essa luta continua atual.

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