Por Repórter Popular – RS
Estudantes do Instituto Rio Branco, em Porto Alegre, denunciam ataques atribuídos à vereadora de extrema direita Mariana Lescano (PP). Segundo os alunos, a parlamentar teria invadido a escola gravando uma discussão com a diretora, publicado um vídeo com cortes no áudio — depois apagado — e removido comentários de estudantes nas redes sociais.
O caso começou com uma denúncia contra uma professora de Sociologia, Filosofia e Geografia. Em uma discussão em sala, supostamente influenciada por alunos, a docente teria comparado a propaganda política de Jair Bolsonaro à propaganda fascista de Mussolini. A aula foi gravada por celular — o que, segundo os estudantes, não seria permitido na instituição.
Para os alunos, o episódio atinge a liberdade de ensinar e aprender. “A escola não serve apenas para ensinar conteúdos para uma prova. Ela também é um espaço onde aprendemos história, entendemos a sociedade e desenvolvemos nosso pensamento crítico”, afirma o estudante Morgan, do Erês Aiyê Juventude.
Os secundaristas também afirmam que a atuação da vereadora não se limita ao Rio Branco. “Essa vereadora está perseguindo não só o Rio Branco, mas outras escolas desde o começo do ano”, relatam, citando a escola Júlio de Castilhos. Segundo Morgan, a pauta do Escola Sem Partido defendida pela parlamentar funciona como silenciamento dos jovens e atinge a autonomia e a identidade política de cada estudante.
O ato contra o fascismo e a censura aconteceu nesta quinta-feira, em frente ao Instituto Rio Branco reunindo estudantes e apoiadores. “Nós somos o futuro do Brasil. Como pensar em um futuro sem senso crítico, sem consciência política, com censura dentro das escolas? Não vamos deixar isso acontecer”, declarou Morgan ao Repórter Popular.
Os estudantes reforçam que a luta continuará. “Não temos tanta voz, não temos tanta repercussão, mas a gente vai fazer ter. A gente não vai deixar esse assunto passar em branco. Não dessa vez”, concluem.

