Coletivo NOIA ARTE promove debate sobre criminalização do rap e violência na periferia em Novo Hamburgo (RS)

Por Repórter Popular – RS

Na tarde deste domingo (29), o coletivo NOIA ARTE realizou, em Novo Hamburgo (RS), um debate público sobre a criminalização do rap e a violência nas periferias. O encontro aconteceu na Casa da Praça, espaço reconhecido por fomentar iniciativas culturais e educativas no município, reunindo artistas, educadores, integrantes de coletivos e moradores da região.

A atividade integra uma série de debates organizados pelo coletivo com o objetivo de discutir a criminalização de expressões culturais no Brasil, especialmente aquelas ligadas às periferias urbanas.

Segundo os organizadores, a proposta surgiu a partir de mobilizações culturais recentes na cidade, como as reações ao corte de investimentos na orquestra sinfônica local, situação que gerou perguntas acerca da cultura e dos diferentes tipos de expressão cultural e artística. Também foram citadas pressões que atingem espaços culturais independentes, incluindo a Casa da Praça e escolas de samba tradicionais, como a Protegidos e a Marujos, que em 2025 (e até hoje) sofrem pressão do poder público e especulação imobiliária sobre a manutenção do espaço físico que ocupam.

Durante a abertura, o coletivo destacou a importância de espaços como a Casa da Praça para a construção de políticas culturais e para o fortalecimento de práticas artísticas diversas, como o hip hop, o teatro, as artes visuais e o circo. Também foi ressaltado o papel desses espaços na articulação com áreas como educação e saúde mental.

O debate contou com a participação do historiador e militante do movimento negro Marcelo Cortes e do educador, rapper e ativista do hip hop Eduardo Tamborero, ambos com trajetórias ligadas à produção cultural e ao trabalho comunitário.

Marcelo apresentou reflexões a partir de sua trajetória e de seu livro “O espetáculo do circo dos horrores no Brasil”. Entre os pontos levantados, destacou a necessidade de fortalecer redes de atuação cultural, ampliar o reconhecimento de produções artísticas periféricas e afirmar o rap como uma forma de produção de conhecimento e interpretação da realidade social.

Já Eduardo Tamborero abordou a relação entre violência nas periferias e desigualdades sociais, trazendo uma leitura histórica do movimento hip hop local e dos desafios de produzir cultura em contextos marcados por exclusão. Ele ressaltou o papel do hip hop na formação crítica, na educação popular e na organização coletiva, além de apontar a necessidade de ampliar o acesso a financiamento e melhores condições estruturais para iniciativas culturais, seja por projetos ou auto-financiamento.

Ao longo do encontro, também foram discutidos episódios recentes de repressão a manifestações culturais no Brasil, além de fenômenos políticos como o fascismo e o nazismo, a violência de gênero, além de condutas políticas institucionais que, em todos os níveis, impactam diretamente a produção cultural periférica.

No sentido da atual luta política na cidade de Novo Hamburgo, também houve menção ao agrupamento formado em NH chamado Na rua pela Cultura Popular, espaço de aglutinação de forças de coletivos culturais, artistas independentes e movimentos sociais que pode seguir fomentando ações coletivas, lutas políticas amplas e independentes e propostas de intervenção cultural na cidade.

Para os organizadores, o debate reforça a necessidade de ampliar o reconhecimento da cultura como um direito coletivo e de enfrentar processos históricos de criminalização através do fazer cultural, proporcionando espaços de cultura, lazer, formação e debate, apoiando os espaços culturais e coletivos, assim como os artistas independentes, sendo estes parte fundamental da cidadania e da vida coletiva numa cidade.