O que está acontecendo no IFRJ?

Por Repórter Popular RJ

O Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) vive um momento preocupante que afeta não apenas servidores e estudantes, mas toda a sociedade. Em dezembro de 2025, estudantes, servidores e a comunidade acadêmica escolheram democraticamente o novo reitor da instituição e os novos diretores dos campi. A eleição aconteceu, o resultado foi conhecido e a vontade da comunidade foi expressa nas urnas.

Mas, meses depois, a gestão eleita ainda não tomou posse.

O que deveria ser um processo normal de transição transformou-se em um impasse que tem gerado indignação dentro do Instituto. Ao longo dos últimos meses, o processo foi marcado por atrasos, problemas no encaminhamento de documentos e uma série de obstáculos que impediram a conclusão da transição. Enquanto isso, o mandato da antiga gestão chegou ao fim e, em vez da posse da equipe eleita, foi nomeado um reitor substituto ligado ao mesmo grupo político derrotado nas eleições. O antigo reitor, por sua vez, foi nomeado para uma pró-reitoria, permanecendo na estrutura de gestão da instituição.

A pergunta que estudantes, servidores e a sociedade têm o direito de fazer é simples: se a comunidade já escolheu democraticamente seus representantes, por que a vontade das urnas ainda não foi respeitada?

Essa não é apenas uma disputa administrativa. Trata-se de uma situação que pode trazer consequências concretas para toda a comunidade acadêmica. A demora na posse da nova gestão compromete o planejamento institucional, dificulta o acesso aos recursos necessários para o funcionamento dos campi e pode impactar programas, projetos, bolsas e auxílios estudantis, fundamentais para a permanência de muitos alunos na instituição.

Após forte pressão da comunidade, o Conselho Superior (CONSUP) finalmente foi convocado. No entanto, a lentidão na condução desse processo continua gerando preocupação. O que se espera é uma solução rápida para um problema que já deveria ter sido resolvido há meses. Cada novo atraso prolonga a instabilidade e aumenta os prejuízos para a instituição.

Quem perde com essa situação não é apenas a gestão eleita. Perdem os estudantes que dependem de bolsas e auxílios para permanecer na instituição. Perdem os servidores que trabalham diariamente para garantir a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Perdem as famílias que confiam no IFRJ. Perde a sociedade que financia e acredita na educação pública.

O IFRJ é uma instituição de excelência, construída ao longo de anos pelo trabalho de sua comunidade. Não pertence a um grupo político. Pertence à sociedade. Por isso, estudantes, técnicos-administrativos e docentes seguem mobilizados em defesa da democracia, da transparência e do respeito à decisão da comunidade acadêmica.

Não se trata de defender uma pessoa ou um grupo. Trata-se de defender a democracia e o respeito à decisão tomada pela comunidade nas urnas.

A comunidade do IFRJ não pode lutar sozinha. É hora de estudantes, famílias, ex-alunos e toda a sociedade acompanharem essa situação e cobrarem das autoridades competentes o respeito ao resultado das eleições e a posse imediata da gestão eleita.

Porque a democracia não termina quando a votação acaba. Ela só se completa quando a vontade das urnas é respeitada.

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