Por Repórter Popular – SC
Em meio às comemorações pela vitória eleitoral de Lula (PT), no dia 25/10, Pedro Henrique Ely foi brutalmente atropelado pela Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) em Florianópolis. Segundo relatos, mesmo com uma fratura exposta na perna, que rendeu a ele duas cirurgias, os agentes policiais – o soldado Thiago Dela Bruna Noronha, motorista da viatura, e a cabo Míthila Cordova de Oliveira, que o acompanhava – aplicaram spray de pimenta enquanto ele estava no chão. Ainda com a chegada da ambulância, o levaram detido, preso em flagrante, algemado pela mão e pelo pé da perna não fraturada, até o Hospital Governador Celso Ramos. Somente no outro dia o jovem pode ver os familiares, quando a justiça, sob ordem da juíza Mariana Machado Tessari, concedeu a liberdade provisória do motoboy.
Segundo o boletim de ocorrência, a corporação foi chamada ao local pela denúncia de populares, que informaram haver um motoqueiro realizando manobras perigosas na via pública, nas mediações dos bairros Sambaqui e Ingleses. Os agentes alegam que Pedro não obedeceu as ordens de parada e empreendeu fuga até o momento da colisão, que segundo eles foi motivada pelo motoboy ao não parar diante da manobra realizada sobre o canteiro (veja o vídeo abaixo). Os policiais também afirmaram que o motoboy possuía sinais de embriaguez e teria se negado ao teste do bafômetro. Como não há imagens da abordagem, não foi possível verificar a versão dos policiais.
Diante das cenas da violência policial, a população e a classe dos motoboys se mobilizaram em pedido de justiça a Pedro. No primeiro ato, realizado na segunda-feira (26), nos Ingleses, a manifestação pacífica foi dispersada novamente pela truculência dos agentes de segurança do estado, deixando ao menos cinco pessoas feridas pelos disparos de munição de borracha. A guarnição justifica suas ações como medida para dispersar o bloqueio e a passeata que estava sendo realizado na rua. Na terça-feira (27), outra manifestação foi realizada, desta vez também pedindo justiça por aqueles violentados do último ato, em frente ao mercado Brasil Atacadista, nos Ingleses.
Na quarta-feira (28), motoboys, populares e os movimentos estudantis da UDESC e da UFSC se uniram em mais um manifestação, articulada no centro da cidade, em frente ao TICEN. A manifestação foi interpelada pela PMSC logo em sua saída. Após negociação, a passeata se manteve, mas sob a forte vigilância de ao menos cinco viaturas policiais. Ela transcorreu pacificamente. Palavras de ordem por justiça a Pedro, pela desmilitarização e pelo fim da violência policial ecoaram pela vias da cidade, se estendendo da Av. Paulo Fontes até a escadaria Valda Costa (escadaria da Ubro). Uma das músicas cantadas dizia: “por Pedro Ely quero justiça, atrás das grades os agentes da polícia!”.
Ao seu fim, na escadaria, uma plenária foi realizada com o objetivo de unir lutas e realizar uma nova e maior manifestação no dia 05/11, próxima quinta-feira. Essa manifestação ocorrerá pela justiça de Pedro e de Hudson Pinheiro Martins Cipriano, o jovem de 17 anos brutalmente assassinado pela PMSC em dezembro do ano passado. Além disso, foi anunciada a exibição na UFSC, no dia 04/10, do documentário que conta a história de Hudson, que completaria dezoito anos nessa próxima semana.
Em meio à onda de protestos, motoboys relataram a intensificação de operações policiais nas vias urbanas com o foco na abordagem dos entregadores. As medidas são interpretadas pela categoria como forma de intimidação aos pedidos de justiça.
Na terça-feira (27), o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, pediu o afastamento e a prisão do agente infrator. Até o presente momento, nenhuma das medidas foi concretizada pela Corregedoria da Polícia Militar, que afirma que o caso segue em investigação.
Mais informações sobre a mobilização podem ser acessadas no Instagram do Comando dos Motocas SC.
