Merendeiras de Volta Redonda (RJ) mostram força, fazem greve e vencem

Por Repórter Popular – RJ

No dia 09 de setembro, as merendeiras da rede municipal de Volta Redonda realizaram uma greve com manifestação na porta da prefeitura tendo como exigência o pagamento de seus salários que estavam atrasados desde o dia 05 de setembro.

A ação foi resultado da auto-organização dessas trabalhadoras, que mesmo sem a presença de seu sindicato – SindRefeições, entidade claramente pelega e sem compromisso com a luta – não temeram as ameaças e coações, fincaram pé em suas convicções e certeza de que apenas a luta garante nossos direitos.

E se o SindRefeições não compareceu e nem apoiou, isso não significa dizer que as companheiras em luta ficaram desamparadas, pois o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE) se fez presente e foi decisivo para a logística e orientação do movimento.

Demonstrando assim que nossos sindicatos seguem sendo ferramentas fundamentais à luta e que diante de direções pelegas o caminho é tomar o sindicato para as mãos da classe novamente e não se distanciar dele.

O movimento que se iniciou logo cedo foi respondido pela prefeitura com a alegação de que o repasse à empresa Ômega já havia sido feito e que o dinheiro simplesmente sumiu em alguma conta, mas que o governo se comprometia em pagá-las com recurso próprio caso a empresa não pagasse até o final do dia 10, ou seja, quando completasse 5 dias de atraso no salário do último mês, como se as contas e as compras no mercado pudessem simplesmente esperar. E o pior, a prefeitura solicitou que elas encerrassem o movimento e voltassem às escolas.

Diante do fato de não ser o primeiro mês que ocorre o atraso, nem o jogo de falsas promessas às trabalhadoras, elas decidiram por manter o movimento até que o pagamento fosse efetivamente realizado. Com a adesão crescente na ação, o resultado não poderia ser outro: elas dobraram governo e empresa, garantindo o pagamento imediato de seus salários, que foi efetuado com elas ainda na manifestação em frente à prefeitura.

Fica evidente que as medidas judiciais, as quais o prefeito Neto acumula dezenas, e as negociatas de vereadores, que aparecem para tirar uma casquinha do movimento, não servem de nada. O único caminho para assegurar nossos direitos é a auto-organização enquanto classe trabalhadora, é fazermos por nossas mãos porque só o povo garante o povo!

O recado que fica foi dado pelas próprias merendeiras: “mês que vem, se atrasar estamos aqui novamente” e lembra a música cantada pelos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em greve nos anos 80: “pagou pra ver e viu, se vacilar tem mais”.

A hora agora é de comemorar o salário pago, mas não de baixar a guarda e sim de avançar na luta contra o contrato intermitente, exigindo e forçando a direção do SindRefeições a encampar essa bandeira ou passar por cima desses diretores para alcançar as vitórias apesar deles.

Seguir o exemplo das merendeiras de Volta Redonda e arrancar nossos direitos nas ruas e greves!