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Servidores de Cachoeirinha (RS) fazem paralisação contra a privatização da Saúde

Foto: reprodução SIMCA

Repórter Popular RS

Na última sexta-feira (11), servidoras e servidores públicos da Saúde do município de Cachoeirinha (RS) fizeram uma manhã de luta com protestos contra a terceirização e a privatização dos serviços públicos de saúde. A paralisação também foi em defesa da valorização da categoria e pela realização de concurso público.

Organizada pelo Sindicato dos Municipários de Cachoeirinha (SIMCA), a mobilização teve início às 8h, em frente à Secretaria Municipal de Saúde, com café coletivo. Depois, houve uma plenária com os servidores para organizar os próximos passos da luta e um almoço coletivo. A manhã de luta ocorreu com ampla participação mesmo com chuva e frio.

De acordo com o SIMCA, no dia 28 de agosto a categoria foi surpreendida com a notícia de que a Prefeitura de Cachoeirinha firmou um contrato emergencial, com duração de seis meses e no valor de R$ 34 milhões, com uma associação de fora do estado para gerir unidades de saúde do município.

Trata-se da Associação Tristão da Cunha, que vem provocando preocupação e revolta entre trabalhadores da saúde em diferentes municípios e estados. Em Cachoeirinha, o processo de contratação da entidade para a gestão de unidades de saúde avança de forma acelerada e sem diálogo prévio com os servidores que serão diretamente afetados pela mudança.

“A situação acende um alerta entre os trabalhadores. O processo de seleção realizado no município teve edital com prazo de seleção de apenas quatro dias, levantando questionamentos sobre a transparência, a participação dos servidores e da população e as condições em que uma mudança dessa dimensão está sendo conduzida”, explica o sindicato.

O histórico recente da entidade em outros municípios reforça as preocupações da categoria e foi um dos principais motivos que levaram os servidores à paralisação.

Em Linhares (ES), trabalhadores denunciaram terceirização

Em dezembro de 2025, a Prefeitura de Linhares, no Espírito Santo, contratou a Associação Tristão da Cunha para atuar na gestão da saúde pública municipal. Diante da medida, o SindiSaúde de Linhares realizou uma paralisação e levou a denúncia ao Conselho Municipal de Saúde e à Câmara de Vereadores.

A entidade sindical alertou para um processo que representa a terceirização e a privatização da gestão da saúde pública, além de apontar a falta de transparência e de diálogo com os trabalhadores do setor e com a população.

A mobilização dos trabalhadores foi seguida por uma decisão da Justiça do Espírito Santo, que determinou a suspensão do processo seletivo realizado pela Associação diante dos questionamentos identificados no edital.

Justiça apontou problemas no edital

Entre os problemas apontados pela decisão judicial estava o curto prazo estabelecido para as inscrições. Em Linhares (ES), o edital foi assinado em 23 de dezembro, enquanto as inscrições terminavam já no dia 26 de dezembro. A previsão era de homologação do resultado final em 29 de dezembro.

Para a Justiça, o calendário estabelecido era inadequado, especialmente por coincidir com o período das festas de Natal. A decisão também destacou que os dias 27 e 28 de dezembro correspondiam a sábado e domingo, reduzindo ainda mais, na prática, o tempo disponível para que os interessados reunissem a documentação exigida.

A decisão ressaltou que um prazo tão reduzido, durante um período de recesso e festividades, poderia comprometer a publicidade do processo e dificultar o controle social e a participação democrática.

Cachoeirinha também foi à luta

O SIMCA afirma que, diante desse cenário e da forma como o processo vem sendo conduzido em Cachoeirinha, os servidores decidiram mobilizar a categoria.

A mobilização foi um chamado para que a gestão municipal reveja suas prioridades e valorize quem mantém a saúde pública funcionando todos os dias: os servidores públicos.

Não queremos terceirização. Queremos serviço público de qualidade, trabalhadores valorizados, transparência nas decisões e respeito à população“, dizem os servidores. O sindicato informa que a luta continua e que organizará mais atos para cobrar a Prefeitura.

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