Por JP, professor da rede estadual de SC
Mais uma vez, o retorno ao trabalho dos professores da rede estadual de Santa Catarina é marcado por uma “live de boas-vindas” enfadonha, transmitida pela Secretaria do Estado da Educação (SED).
Por todo o estado, nós professores começamos a semana amontoados em uma sala para ouvir o monólogo da secretária Luciane Ceretta. Depois de 40 minutos de atraso, a fala cheia de clichês como “a escola que queremos”, “fortalecer a comunidade escolar” e “formar talentos” nos irritava logo cedo.
Uma gestão que congela salários, terceiriza merenda, proíbe cotas e descumpre acordos de greve tem a pachorra de aparecer reluzente em live, falando de diálogo, crescimento pessoal e amor pela escola pública.
Toda essa positividade vazia ignora que 70% dos professores da rede, por estarem em contrato temporário, são obrigados a pular de escola em escola e não tem o direito de “fortalecer a comunidade”. Inclusive, boa parte dos ACTs nem assistiram essa live, pois estão esperando as vagas no sistema e só receberão salário em março.
Outra ausência na fala da secretária foi o ensino inclusivo. Aparentemente a inclusão e seus muitos desafios, vividos no dia a dia pela categoria, não são importantes para a SED.
O único momento onde se pensou inclusão foi quando a secretária fez questão de fazer sua “auto-descrição” para que todos saibam que ela “é uma mulher loira e de pele clara”. Curioso que numa live sem intérprete de Libras, onde não se falou de educação inclusiva em nenhum momento, seja tão importante para a secretária se afirmar como branca.
Vamos torcer para que essa seja a única live dessa “jornada pedagógica”, e que não tenhamos que ouvir mais políticos, coachs ou iluminados falando sobre uma realidade que desconhecem.
