Na tarde de ontem (05), cerca de 50 trabalhadores da Prefeitura de Laguna realizaram uma marcha do Centro da cidade à Câmara de Vereadores. Seu objetivo era garantir o pagamento dos salários de parte dos servidores, que estavam atrasados há quase uma semana.
O ato foi convocado por professoras admitidas em caráter temporário (ACTs), mas teve a adesão de servidores municipais de outras áreas, assim como de bolsistas da Frente de Trabalho. Os membros do programa social, que executam parte da limpeza e manutenção de bens públicos no município, também estavam com o auxílio atrasado.
A marcha ganhou corpo ao longo do trajeto e chegou à Câmara de Vereadores logo antes das 18h, horário da sessão que iria debater o Projeto de Lei para remanejar o orçamento e permitir o pagamento.

O salão da Câmara, que costuma reunir poucas pessoas para assistir à sessão presencialmente, ficou lotado e formou fila do lado de fora. Duas faixas deram o tom da reivindicação: “Respeitem o servidor” e “Elibio, libera nosso salário”.
A cobrança especial coube ao vereador Vitor Elibio (MDB), presidente da Câmara, que se escondeu do oficial de justiça na sexta-feira (02) para não ser notificado e obrigado a convocar uma sessão em 24 horas.
Mesmo assim, a responsabilidade pelo adiamento da sessão da semana anterior, que poderia ter evitado o atraso de salários, cabe também aos vereadores Anderson (Podemos), Cleosmar (MDB), Dudu (Podemos), Gabrielzinho (PL), Jaleel (PSD), Pingo (MDB) e Macho (MDB).
Durante a sessão, os vereadores de oposição ocuparam o maior tempo na tribuna para jogar a responsabilidade para a gestão do Executivo. O público, impaciente com a briga política da qual foi vítima sem ser participante, chegou a virar as costas em protesto. Quando um vereador tentou aos gritos argumentar que o prefeito era o culpado, o público devolveu em uníssono: “vocês também”.

Em discussão, estava a Emenda 0001 produzida pelos vereadores para restringir o remanejamento de verbas apenas a este mês, em oposição à proposta inicial que garantia o orçamento dos pagamentos até o final do ano. Mesmo sob protestos, a emenda acabou aprovada por 8 votos contra 5.
Uma vitória parcial. A votação garantiu o pagamento dos salários realizado hoje, mas mantém a queda de braço entre Câmara e Prefeitura nos próximos meses, com risco de novos atrasos de salário.
No entanto, entre as manifestantes, a expectativa é que o ato tenha sido suficiente para passar uma mensagem clara aos vereadores. Independente do ânimo da relação entre Executivo e Legislativo, o servidor não pode ser usado para chantagem e em salário não se mexe.
