Por Repórter Popular – RJ
No domingo passado (03), mais um homem negro foi preso injustamente pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. Guilherme Fernando da Conceição Gomes trabalha como motoboy e é morador do Morro do Turano, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde todos acompanham sua batalha trabalhando no trânsito. A prisão injusta foi decretada enquanto ele aguardava pra ser atendido no Hospital Municipal Miguel Couto.
Naquele mesmo dia, um policial militar havia sido roubado no bairro da Tijuca. Ele acionou outros policiais que estavam em serviço para verificar hospitais públicos, pois segundo relatos um dos dois homens que o robou havia caído de moto e fugido, enquanto o outro foi alvejado e morreu na UPA da Tijuca. A partir daí, um outro policial militar em serviço tirou uma foto de Guilherme no hospital e enviou para o PM que havia sido roubado. Os familiares desse PM, então, acusaram Guilherme de ser o suposto assaltante.
Guilherme foi preso na hora e encaminhado para a 19ª Delegacia de Polícia. Já no dia seguinte (04), foi encaminhado para o presídio de Benfica. Fazendo o papel que a polícia deveria fazer, a advogada Yara Moraes conseguiu imagens que comprovam que Guilherme estava em outro local no mesmo horário do assalto. Mesmo após o envio das imagens do motoboy capturadas por câmeras de lojas no bairro Rio Comprido, o Ministério Público ofereceu a denúncia, requerendo a manutenção da prisão preventiva.
Segundo o MP, “a mera juntada das imagens com menção ao horário específico, por si só, NÃO constitui prova cabal de que o denunciado estava efetivamente se dirigindo ao ponto de ônibus, e não praticando o crime de roubo.” No entanto, as imagens mostram Guilherme andando em um local a mais de 2,5 km do local da ocorrência, no mesmo horário em que ocorria o assalto.
Naquele mesmo domingo, de manhã cedo, Guilherme havia caído de moto por volta das 6h da manhã. Voltou pra casa achando que não tinha sido grave, mas acordou com muita dor e, por volta das 11h, decidiu ir ao Hospital Miguel Couto para atendimento. A similaridade com a narrativa da vítima do roubo vem sendo usado como indício de que ele seria um dos autores, ignorando as provas recolhidas pela defesa.
A advogada Yara ainda relatou que o reconhecimento foi confirmado por familiares da vítima a partir de uma única fotografia, sem álbum e sem qualquer alinhamento de pessoas com características semelhantes a de Guilherme, que seria o procedimento correto e legal.
O caso de Guilherme mostra como a Justiça brasileira atua sempre com dois pesos e duas medidas. Este mesmo ano, cinco jovens de classe média alta tiveram suas prisões decretadas somente mais de um mês depois de terem violentado coletivamente uma jovem de 17 anos. No caso de Guilherme, a prisão já é decretada sem nenhuma investigação e com os órgãos públicos negando o conjunto de provas recolhidos pela defesa.
A defesa, a família e amigos e moradores do Turano prometem não descansar enquanto Guilherme não tiver sua liberdade.

