Por Repórter Popular – SC
A exigência de transporte público e acessível para todas as pessoas voltou a marcar os dias do mês de janeiro em Florianópolis. O mais recente aumento do valor da passagem de ônibus na cidade, que entrou em vigor no início de 2026, representou um acréscimo de 12%, equivalente a quase um real (R$ 0,80), e mobilizou a indignação de estudantes e trabalhadoras.
Para além do aumento da tarifa de transporte, outra mudança que alimentou a revolta é a impossibilidade de pagamento da passagem em dinheiro, o que significa que para embarcar nos pontos de ônibus, o pagamento aceito é apenas via pix. Como apontado pelos movimentos que defendem a tarifa zero e a gestão popular do transporte, ambas as medidas (aumento da tarifa e exclusividade de pagamento via pix) prejudicam o acesso ao transporte público, que deveria ser incentivado, em lugar de ser dificultado e encarecido a cada ano.
Diante desse contexto, três plenárias sobre este tema aconteceram durante os dias de janeiro, o que tornou possível a troca de ideias e a discussão coletiva sobre a gravidade da situação. Os desdobramentos práticos foram vistos em ações de pressão popular contra a prefeitura de Florianópolis, em que manifestantes estiveram nas ruas do centro da cidade para denunciar o aumento da passagem.
Em duas ocasiões as manifestações de rua foram seguidas por ações diretas de ocupação do Terminal de Integração do Centro (TICEN), em que manifestantes entraram nas instalações e ônibus sem passar pelas catracas de controle de pagamento. As ações apontam para a exigência de que o transporte público esteja a serviço das necessidades de trabalho, lazer e estudo de quem o usa diariamente, em lugar de servir como mecanismo de enriquecimento dos bolsos dos patrões, empresários e políticos profissionais. A reivindicação que se faz é sobre o direito de ir e vir, de ocupar a cidade, de ter acesso garantido ao transporte.
A quarta plenária desta sequência de construção das mobilizações pelo tema aconteceu no início de fevereiro. Entre as decisões tomadas pelas participantes na ocasião, está a retomada das manifestações no centro da cidade no dia 09 de fevereiro, com concentração a partir das 15h em frente ao TICEN. Este será o terceiro ato de rua pela revogação do aumento da passagem em menos de um mês. Os movimentos sociais e entidades estudantis convidam a população e usuárias de transporte público a se unirem na pressão contra o encarecimento da tarifa.
