1º Fórum de Educação Superior para Povos Indígenas e Quilombolas marca novo capítulo na história do RJ

Por Resistência Popular Estudantil Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro foi palco, entre os dias 13, 14 e 15 de agosto, do 1º Fórum de Educação Superior para Povos Indígenas e Quilombolas, um encontro inédito que abre caminho para mudar a estrutura da universidade pública e torná-la mais diversa, inclusiva e democrática.

A iniciativa nasceu da percepção dos próprios estudantes indígenas e quilombolas: a escassez de seus iguais nos espaços universitários é gritante, resultado de uma história de exclusão. O fórum surgiu justamente dessa urgência, fortalecida pelo movimento estudantil indígena e quilombola, que junto a seus aliados reivindicou a criação de novas formas de ingresso e políticas mais eficazes de permanência para essas populações específicas.

Mais do que um evento acadêmico, o fórum foi um ato político construído diretamente com os territórios. As aldeias e os quilombos não participaram como convidados, mas como protagonistas do processo: não se tratou de pensar políticas para os povos, mas sim com os povos, reconhecendo que só o diálogo com quem vive e resiste nesses espaços pode apontar os caminhos para uma universidade realmente transformadora.

Durante três dias de atividades, juventudes indígenas e quilombolas estiveram no centro das discussões, apresentando propostas que apontam para a necessidade de aldear e aquilombar a universidade pública. Isso significa torná-la mais próxima das realidades dos povos, permitindo que seus saberes, modos de vida e formas de existir se expressem dentro do espaço acadêmico.

As instituições que assinaram o protocolo de intenção foram: Instituto Federal Fluminense (IFF), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).

A UERJ, que havia confirmado participação, não enviou representantes no dia da assinatura, ficando de fora deste primeiro momento do compromisso coletivo.

O fórum se destaca como um movimento político, cultural e histórico no Rio de Janeiro, sinalizando que a universidade do futuro não pode ser neutra, tampouco distante do povo. Ao contrário: deve ter a cara e a voz das comunidades que historicamente foram excluídas, porque a universidade que queremos é com a cara do povo – e esse povo é o nosso.

Este primeiro fórum deixa como legado não apenas um conjunto de propostas, mas uma direção clara: a transformação da educação superior se fará na prática do coletivo, da base e da diversidade, garantindo que as universidades públicas sejam aldeadas, aquilombadas e colocadas a serviço da vida e dos sonhos dos povos que constroem este país.