Por Repórter Popular – SC
Durante a semana do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, um seminário promovido por movimentos sociais e pela deputada estadual Luciana Carminatti (PT) trouxe à luz, no centro do poder legislativo de SC, discussões que permeavam há muito o debate civil, sobretudo nos movimentos feministas.
O evento teve uma abertura marcante, com memória às 52 vítimas de feminicídio no estado de SC em 2025. Ao chamado do nome de cada uma das mulheres e crianças assassinadas pelo patriarcado catarinense, homens entraram no auditório carregando pares de calçados. A entrada foi regida ao rufo grave da percussão, dando o tom a cerimônia. No térreo, uma intervenção artística chamava a atenção por sua brutalidade, roupas femininas penduradas em blocos contavam as histórias por trás de cada feminicídio que representavam.

O evento seguiu com uma primeira mesa de debate composta por diversas figuras do poder executivo estatal e integrantes do movimento social. Como proposta da mesa, discutiu-se os compromissos do Estado frente ao aumento dos feminicídios e a violência de gênero. A segunda mesa, finalizando as atividades do período da manhã, se propôs a discutir as relações de masculinidade e poder, que permeiam a socialização masculina, contando com a presença especial de Sandro Justo, sociólogo, mestre em educação e doutor em serviço social.
A terceira mesa foi marcada pela presença da comunicadora feminista Carolline Sardá; da professora doutora Normélia de Farias; da psicológa, doutora em psicologia social e mulher com deficiência Karla Garcia; e da dirigente do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), camponesa e educadora social Justina Cima. Elas discutiram os diversos níveis de violência de gênero, desde seu caráter de classe e de raça até a condição de PCD e da vida campesina sobre os corpos femininos. Por fim, houve ainda o anúncio do lançamento de um guia prático para as mulheres da cidade de Florianópolis em casos de violência e do Centro de Pesquisa e Formação Contra o Feminicídio de SC.
Entre performances artísticas e mesas de debate, o seminário foi marcado pela presença maciça dos movimentos de base, que ocuparam as diversas salas e auditórios da Alesc, uma vez que o auditório central atingiu seu limite de ocupação na maioria das mesas. Entre outros, MST, CUT, SINTE, MAB e MMC integraram o seminário. Os movimentos interviram com cartazes e palavras de ordem em vários momentos do evento, evidenciando a importância do que era discutido e apresentado.
“Vivas e Decididas” também contou com a presença de uma feira no pátio superior da Alesc, composta sobretudo por mulheres, onde vários setores do trabalho artesanal se fizeram presentes. De roupas a velas, as mulheres passaram o dia vendendo seus produtos e divulgando sua arte.
Frente ao alto número de feminicídios e tentativas de feminicídio no estado — contabilizou-se 255 tentativas no ano de 2025 — e o discurso misógino crescente de parlamentares antifeministas e comunicadores masculinistas redpill, o seminário foi capaz de movimentar diversos setores civis, contando com a presença de mais de mil pessoas, e integrar um importante espaço no circuito de manifestações ligados ao 8M na Grande Florianópolis.

