Por Repórter Popular Pará
Nesta terça-feira, 16 de dezembro, foi deflagrada a greve por tempo indeterminado das trabalhadoras e trabalhadores dos Correios nos estados com maior número de funcionários como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e outros. Os representantes da categoria através das duas federações Fentect e Findect estão há 5 meses na mesa de negociação tratando sobre pautas sociais, econômicas e de reestruturação da empresa que atingem diretamente os funcionários.
Nesta data-base, a direção da empresa passou por uma transição de presidência durante as negociações, mas as propostas de retiradas de benefícios, demissão de 10 mil funcionários através de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) e mudanças na escala de trabalho (de 44h semanais para 12×36) e a saída da empresa como mantenedora do plano de saúde para os funcionários permaneceram em jogo.
Segundo os diretores, essas são as principais medidas de reestruturação para que a empresa consiga concorrer com as demais empresas privadas do ramo de logística que atuam em território nacional em meio à crise que se instalou na empresa nos último três governos. Os empregados não podem aceitar se nivelar pela retirada de diretos, precarização e uberização do ramo como quer a empresa nessa lógica neoliberal e, sim, exigir que as pessoas que trabalham em outras empresas do mesmo ramo tenham os mesmos direitos já conquistados há anos pelos funcionários dos Correios.
Para a categoria, esse plano de reestruturação significa mais sacrifício para “salvar” a empresa e balancear as contas em déficit, sendo que diversas empresas privadas vêm sendo socorridas pelo governo – inclusive o agronegócio recebeu um aporte de R$ 30 bilhões dos cofres públicos com a aprovação da Câmara e nos perguntamos: por que a estatal com mais de 350 anos de existência e que contribuiu e contribui até hoje para uma integração nacional não pode receber tal ajuda?
Bem como não podemos aceitar sermos chantageados pelo governo através do tesouro. Não podemos aceitar que para que os Correios possam fazer empréstimos seja preciso sacrificar os direitos de seus funcionários com essa reestruturação perversa.
A hora é de aumentar a mobilização nos estados que já iniciaram o movimento paredista, ajudar as demais bases dos estados a aderirem à greve geral da categoria ecetista e também denunciar as direções sindicais que nas assembleias desta semana fizeram terror psicológico nos funcionários para que recuem do calendário de luta durante esses 5 meses e que se colocaram pelo interesse da empresa e do arrocho do governo do arcabouço fiscal e não dos funcionários.


