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Trabalhadora segue internada após agressão da polícia durante ato em Porto Alegre (RS)

Por Repórter Popular RS

A trabalhadora que foi agredida pela Brigada Militar durante ato em solidariedade ao povo venezuelano na segunda-feira (5), em Porto Alegre (RS), segue internada no Hospital Cristo Redentor. Ela aguarda por uma cirurgia no braço, que deve ocorrer nos próximos dias.

Policiais quebraram o braço da  mulher com cacetetes enquanto ela participava da manifestação, que ocorria de forma pacífica. Segundo a apuração do Deriva Jornalismo, os comandantes da ação foram o Capitão Leandro e o Tenente Coronel Daniel Araújo, do 11° Batalhão da Brigada Militar.

Conversamos com a trabalhadora para entender quem ela é o que ocorreu. A. tem 30 anos, é formada em História e trabalha em dois empregos, um na área da panificação e outro como atendente de bar. Ela conta que trabalha mais de 60 horas por semana e que agora seu trabalho será prejudicado com a fratura.

É uma fratura que vai me acompanhar pelo resto da vida, talvez com o tempo eu tenha até problemas para trabalhar, já que trabalho fazendo força na panificação”, lamenta.

Sobre a manifestação, ela diz que estava no local segurando bandeiras e fazendo faixas e cartazes com mais algumas pessoas quando a Tropa de Choque indo em direção a eles. “Eles queriam que a gente saísse da calçada e fosse para uma rua que estava fechada. Nisso, a gente não resistiu e acabou indo. Foi quando vi uma companheira, que estava fazendo a faixa com spray, sendo levada por eles [policiais]“.

Quando viu a amiga sendo detida, ela conta que, em conjunto com outros manifestantes, tentou tirar a companheira dos policiais. E foi nesse momento que ela foi agredida. “Eu só lembro que no momento que eu estiquei o braço veio o cacetete. Aí eu senti um calor assim, fiquei segurando meu pulso e já na hora senti que tinha alguma coisa errada e que estava quebrado mesmo“.

Sobre a reação que teve ao ver a amiga sendo presa, a mulher conta que foi espontânea.”Foi uma reação espontânea, de indignação e revolta, ela estava ali o tempo todo com a gente e não tinha fundamento a acusação da polícia de que ela tinha pixado ali. E mesmo se fosse, eles vão botar todo mundo em risco de se machucar por causa de uma parede?”, questiona a jovem.

A vítima também conta que os policiais utilizaram estavam armados e utilizaram spray de pimenta, cacetete e teaser (arma de choque) para agredir manifestantes. Ela afirma que não havia policiais mulheres para fazer esse tipo de abordagem: “todos os policiais eram homens”.

A trabalhadora conta que, devido ao tempo que vai levar para se recuperar da fratura, precisará ser afastada dos dois trabalhos pelo INSS. “Depois, ainda vou ter que me recuperar da cirurgia e possivelmente ter que fazer alguns meses de fisioterapia também”, explica.

Durante o mesmo ato, duas pessoas foram detidas e só foram soltas após uma vigília em frente à sede da Polícia Militar. A acusação de pixação foi descartada por falta de provas. O outro detido responderá a um processo por desacato e resistência.