Qual é o lugar das crianças nas ações do Sinsej?

* Por Mk

Nos últimos dois meses, a nova direção do Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej) promoveu diversas mobilizações da categoria. Há uma clara intenção de mobilizar a base para defender e conquistar direitos.

A prefeitura tem utilizado gratificações como uma estratégia para dividir a categoria, enquanto a reforma administrativa proposta não contempla um plano de carreira para o conjunto das servidoras e dos servidores.

Nas três assembleias realizadas na sede do Sinsej, a maioria das participantes eram mulheres. O patriarcado está presente na cidade, inclusive nos locais de trabalho e nas famílias. Muitas de nós não temos com quem deixar as crianças. A responsabilidade recai, quase sempre, sobre as mulheres.

Se o sindicato se propõe a ser um espaço de pedagogia da luta, é fundamental refletir sobre o lugar das crianças nesse processo. Em assembleias e reuniões do Conselho de Representantes, é urgente a criação de um espaço que acolha, alimente, alegre e também desperte a rebeldia das crianças.

Esse espaço não pode se resumir a folhas em branco e lápis de cor. É necessário construir uma proposta pedagógica mínima, que não reproduza a lógica da educação formal e autoritária. Em Joinville, a Biblioteca Comunitária Lutador Dito, da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi), já possui experiência nesse campo, assim como várias trabalhadoras da base.

Se o objetivo é mobilizar a categoria, é preciso incluir os filhos e filhas, netos e netas das servidoras e servidores, afinal, lutar por direitos também é lutar pelas condições que permitem nossa participação. E sem crianças não existe futuro.

*A coluna Vivo Na Cidade é uma iniciativa do militante Mk, de Joinville/SC, com atuação na luta comunitária e sindical. O objetivo da coluna é relatar aspectos da luta popular na cidade, passando por questões políticas, econômicas e culturais.