Por Repórter Popular – SC
Na manhã de terça (30), uma mobilização popular foi realizada em resposta a um caso de transfobia que ocorreu na Escola Henrique Fontes, em Tubarão (SC). Segundo os participantes, algumas alunas cisgênero expressaram descontentamento com a utilização do banheiro feminino da escola por uma estudante trans. Outros casos de transfobia já teriam acontecido anteriormente.
A manifestação foi organizada pelo grêmio estudantil S.E.A – Sociedade Estudantil Anônima, saindo da frente do colégio para o centro da cidade. Os estudantes carregavam cartazes, panfletos, bandeira e megafone e receberam apoio de organizações políticas de esquerda. Entre as mensagens divulgadas, estavam a defesa dos direitos das pessoas trans e repúdio à transfobia.
Embora o ato tenha sido pacífico, houve assédio e provocação por parte de representantes de políticos de extrema-direita da região. Segundo um manifestante, um assessor da deputada federal Júlia Zanatta (PL) esteve presente desde o início da manifestação, encarando as estudantes mulheres menores de idade, tirando fotos e gravando vídeos de forma ameaçadora. Os manifestantes incluíram críticas ao Partido Liberal (PL) entre os cartazes do ato.
Quando um participante confrontou o assessor, dizendo que ele não podia tirar fotos de menores sem autorização e tentou tapar sua câmera, ele teria arremessado seu celular e se jogado para trás, simulando uma agressão. Com o recorte descontextualizado gerado por esse momento, influenciadores de extrema-direita criaram factoides de que a manifestação seria violenta, com o fim de deslegitimar o ato. Por fim, o mesmo assessor ainda chamou a polícia e registrou um Boletim de Ocorrência contra um menor de idade, que foi levado à delegacia para prestar depoimento.
Apesar da repercussão de mídia criada por páginas de extrema-direita, marcada por comentários LGBTfóbicos e violentos, o impacto durante a manifestação foi muito diferente, com destaque para manifestações de empatia, respeito e diálogo sobre as dúvidas que a manifestação suscitou.
A EEB Henrique Fontes integra o Programa Estadual das Escolas Cívico-Militares, criado pelo governador Jorginho Mello (PL) quando o modelo cívico-militar, criado na gestão Bolsonaro, foi descontinuado pelo governo Lula. Apesar disso, a diretoria da escola também demonstrou apoio à estudante trans, garantindo seu direito de utilizar o banheiro feminino, tendo dito inclusive que “quem não gostar, use o de trás”, em referência ao outro banheiro existente na instituição.

