Por Repórter Popular – RS
No dia 31 de julho, uma notícia chocou a cidade de Alegrete, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. O corpo de uma jovem de 21 anos, Eduarda Carvalho dos Santos, foi encontrado com sinais de muita violência dentro da casa onde vivia com o seu agressor e a família dele.
Inicialmente, foi veiculada a informação de que Eduarda havia sido atacada com 50 facadas, mas se revelou posteriormente que foram 127 golpes. A jovem, uma mulher negra e de periferia, era mãe de três filhos do assassino, apontado como Lucas Ribeiro Padilha. O corpo da jovem foi encontrado apenas após dois dias do cruel ataque que arrancou sua vida.
O agressor foi detido e, até o momento da escrita da matéria, ainda não havia dado depoimento. A família do feminicida, por sua vez, esteve presente em frente à delegacia e chegou a gritar palavras de incentivo, falando para que ele erguesse a cabeça e não se sentisse envergonhado. A família também alega que o feminicida possui problemas de saúde mental.
No sábado (09), foi organizado um ato na cidade de Alegrete. Dezenas de mulheres, faixas, cartazes e gritos contra o feminicídio ganharam espaço em um parque tradicional que tem bastante circulação de pessoas. A manifestação contou com a participação ativa de jovens vizinhas da Eduarda, assim como de sua mãe, que veio de outra cidade da fronteira para seguir lutando por justiça para sua filha. Organizações de mulheres também estiveram presentes, trabalhadoras da educação, mulheres do MST, organizações sociais e associações de bairros.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, a situação de agressões que Eduarda sofria vinha, pelo menos, desde 2019 e já havia um histórico de denúncias feitas à Delegacia de Polícia da cidade. No entanto, a família do agressor, com quem ela vivia, ela conivente com a situação. Para as mulheres que estiveram na manifestação, esse cenário evidencia que o aparato policial é seletivo e só atua rapidamente quando é para reprimir e criminalizar o povo pobre e preto, não para defendê-lo.
A realização da manifestação demonstrou que a agressão a uma mulher também machuca a todas as mulheres e, por esse motivo, elas se fizeram presentes na rua para denunciar o feminicídio como uma face bruta do patriarcado. Muitas lembraram do caso recente em que outra mulher sofreu uma tentativa de feminicídio com 60 socos em seu rosto, tema que chocou o país e figurou nos principais jornais. Ao mesmo tempo, as manifestantes questionaram o tratamento diferente recebido por Eduarda, em sua condição de jovem preta e periférica. Apesar de que o feminicídio não escolhe classe social, a maioria dos casos são contra mulheres pretas e pobres, enquanto geralmente são mulheres brancas e de classe média que ganham destaque nacional.
Ainda segundo as manifestantes, apesar de ter sido organizado com pouco tempo de divulgação, o ato cumpriu o papel de mostrar a indignação sentida e de demonstrar que esse foi apenas o primeiro passo, pois elas seguirão agindo para que o caso tenha seu desfecho da forma mais justa possível. Conforme disseram os gritos e faixas na praça: “Não foi loucura, foi ódio extremo contra a mulher!”, “Basta de Feminicídio, Eduarda Carvalho dos Santos Presente!”
