Repórter Popular RS
Estudantes, professores, mães e moradores da Vila Bom Jesus, em Porto Alegre (RS) protestaram em frente às escolas municipais Nossa Senhora de Fátima e Mariano Beck no início da tarde de hoje (24).
A comunidade denuncia a decisão arbitrária do prefeito Sebastião Melo (MDB) e do governador Eduardo Leite, que na prática acaba com as turmas a partir do 6º ano nas escolas municipais de Porto Alegre.
Segundo uma professora da escola Mariano Beck, entrevistada por nossa reportagem, o que vinha acontecendo com a educação no território já configurava uma tragédia. Os alunos se formavam no 9º ano e não seguiam os estudos pelo medo de disputas territoriais e violência entre grupos rivais, pois as escolas estaduais ficam mais distantes do território onde vivem e transitam.
Segundo a professora, a ação articulada do governo estadual e municipal em Porto Alegre aprofunda essa crise de evasão escolar. Se os alunos estavam largando os estudos no 9º ano, agora começarão a largar no 5º. Isso faz eco com a lógica dos grupos escolares na periferia durante a ditadura militar, cujo projeto era promover uma educação muito rudimentar para os oprimidos.
Ainda que esteja ancorada em bases e diretrizes legais para a educação (ensino infantil sob responsabilidade do município e ensino médio a cargo do estado), a ação, além de fazer uma interpretação equivocada da lei (considerando educação infantil apenas até o 5º ano), não leva em conta fatores que impactam a vida da comunidade.
“Eles não conhecem a periferia, não sabem o que os professores, os alunos e suas famílias passam aqui, e acham que é só olhar um mapa e decidir pra onde eles vão”, diz a professora. Segundo ela, no momento, a medida está para ser aplicada apenas nas regiões periféricas e de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade. Isso reflete o caráter racista e classista desta politica.
Duas estudantes do 7º ano da escola Nossa Sra. de Fatima também deram seus depoimentos ao Repórter Popular. Uma delas relatou que tem um irmão pequeno que leva para a escola e, se tiver que mudar de escola, não terá mais como levar o irmão. Ela conclui dizendo que é direito da criança estudar.
A outra estudante afirma que “isso que o Melo e o Leite estão fazendo é errado, porque eles não consultaram ninguém sobre o assunto, eles só decidiram e pronto”. A estudante finaliza dizendo: “por isso a gente tá aqui protestando. Para que os anos finais [do ensino fundamental] fiquem”.
A comunidade da Vila Bom Jesus segue mobilizada na luta por vida digna e contra mais este ataque destes governos à Educação e ao povo periférico.
Assista ao vídeo do protesto abaixo:
