Ato contra a falta de água nos altos da Colina, Grécia e Morro Santana, em Porto Alegre

Por Repórter Popular – RS

Na última quinta-feira, 20 de março de 2025, moradores das regiões da zona leste de Porto Alegre realizaram ato contra a falta de água na região. Reivindicam soluções junto à prefeitura para acabar com problemas básicos de acesso à água e saneamento básico, uma dificuldade que essas comunidades enfrentam há muitos anos.

Moradores da comunidade dos altos da Colina, Grécia e Borel, que ficam nos bairros Jardim Carvalho e Morro Santana, realizaram protesto na Av. Bento Gonçalves por volta das 18h30 contra um problema histórico de saneamento e falta de água.

Nos últimos 3 meses, a comunidade vem enfrentando em seu território a falta de acesso à água. Alguns pontos chegaram a ficar 2 semanas ininterruptas sem acesso, justamente num período em que o Rio Grande do Sul enfrentou ondas de calor extremo.

No entanto, a situação não é apenas de hoje. Algumas regiões sofrem há décadas com períodos em que a água é fornecida de forma intermitente, entre meia noite e quatro da manhã, por exemplo. Moradores se mobilizam guardando água, armazenando água da chuva, recebem apoio de vizinhos, compram água, mas isso não chega a ser suficiente.

Moradores reconhecem que esse problema normalmente se agrava durante o verão, mas no inverno também ocorrem períodos de falta de acesso. Os problemas não estão ligados a períodos de manutenções ou paralisações programadas. Quando a água chega, existem problemas relacionados à qualidade da água. Na região da comunidade Borel, há anos moradores percebem água de coloração amarela e de má qualidade. Outros locais tem baixa pressão para o uso diário de chuveiros e torneiras.

Além disso, se não bastasse o problema grave de acesso a um direito básico como a água, moradores denunciaram a ausência de saneamento básico na região. Algumas regiões têm esgoto a céu aberto que, por vezes, chega a escorrer pelas ruas onde brincam as crianças.

Em 2023, as comunidades da Colina e Grécia entregaram ao DMAE um documento de reivindicações, mas não tiveram nenhum retorno. Antes desse documento e depois, inúmeras reclamações foram feitas sem que houvesse uma resposta adequada à situação.

Nesse sentido, reuniram-se para protestar e chamar a atenção da grave situação que essas comunidades de Porto Alegre enfrentam. Reivindicam:

a) implantação de uma rede de distribuição que ainda não é atendida pelo DMAE;

b) aumento de diâmetro dos canos e melhoria no bombeamento da água;

c) instalação de mais e maiores caixas da água em pontos altos, com ligação a mais residências;

d) instalação de redes de esgoto;

e) defesa do DMAE público, com mais investimentos e controle social

A manifestação chama a atenção para um problema de direitos básicos, que requerem soluções estruturais no sistema de abastecimento e saneamento. Faz reivindicação de um tratamento igual a outros pontos da cidade em que esses problemas não ocorrem. Segundo informações, desta mobilização saiu também uma carta de contextualização e reivindicação que será entregue ao DMAE.

As fotos são de Lucas Maga.

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