Por Repórter Popular – RJ
Desde maio de 2024 está aberto, em Barra Mansa (RJ), o Museu do Trabalho e dos Direitos Humanos, no local onde durante a ditadura militar era o Batalhão de Infantaria Blindada e funcionou um DOI-CODI, dedicado à repressão, prisão e tortura de militantes de toda região sul fluminense. Ali se instaurou o calvário para quem lutava por melhores condições de vida para os trabalhadores.
Longe ser um caso isolado da região, a prática da tortura foi sistemática durante os 21 anos da ditadura militar, em especial a partir da promulgação do Ato Institucional nº 5 em dezembro de 1968. Relatos de pau de arara, choques elétricos, arrancamentos de unhas, espancamentos, violências sexuais, afogamentos, entre outras atrocidades compõem as centenas de páginas de relatos descobertos e organizados pela Comissão da Verdade entre os anos de 2012 e 2014.
A Comissão foi um esforço de prestar a devida memória e homenagem aos que lutaram contra o autoritarismo dos militares. Distante de acertar as contas com o passado ou remover a mancha terrível que a “anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes” deixou ao perdoar também os agentes do Estado que cometeram as torturas, assassinatos, desaparecimentos de corpos e toda sorte de violência contra o povo. A Comissão ao menos permitiu que olhássemos como sociedade para o período e iniciássemos um esforço de materializar a frase “perdoar nunca, esquecer jamais”.

Museu do Trabalho e dos Direitos Humanos
E é nesse sentido que se criou o MTDH. Sua exposição serve para, primeiramente, lembrar os horrores da ditadura e evidenciar que não existe nenhuma solução política ao se tentar de alguma forma reeditar essa experiência. E o Museu pretende ir além disso: ele torna palpável que a ditadura pesou de forma ainda mais dura e cruel para os trabalhadores, negros, mulheres e pobres.
Foram esses os mais atingidos pelas baionetas, os mais dependurados em paus de arara, os que tiveram seus direitos mais gravemente tolhidos.

Uma verdadeira ode à luta dos que não baixaram a cabeça
O Museu foca em resgatar as memórias dos combatentes e da resistência popular que se processou no período: recupera o papel da organização das mulheres na região, desde o interior da CSN com as Vira-Latas até as ruas com a atuação de trabalhadoras da saúde; o combate ao racismo protagonizado por negros que construíram o Clube Palmares como ferramenta de sociabilidade negra e preparo moral para a batalha; o papel da Juventude Operária Católica que, sob a orientação de Dom Waldyr, atuava nos bairros difundindo um verdadeiro programa aos trabalhadores por melhores condições de emprego e renda; e evidentemente o papel da luta sindical, determinante para o desgaste da ditadura e para as vitórias de nossa classe na reabertura econômica, que em Volta Redonda teve um de seus mais importantes episódios na greve dos trabalhadores da CSN de 1988.
O MTDH se coloca assim não apenas um espaço de memória, mas se torna principalmente um espaço de justiça, que deve não apenas ser visitado, deve ser protegido.

Para acompanhar os horários de visitação do Museu, siga-os na página de Instagram: @mtdh.uff
A imagem de capa é de @annaluportugal.

