Por Repórter Popular RJ
No dia 07 de junho de 2026 foi lançado o CINE44 na zona oeste! Uma parceria entre o MOB – Movimento de Organização de Base, do Rio de Janeiro, junto ao Centro Cultural Terraço das Artes, localizado no bairro de Paciência, na extrema zona oeste do Rio.
O cineclube que, desde agosto de 2024, vinha sendo construído, finalmente ganhou um nome próprio. Para a celebração do lançamento do cine, foi organizado um sarau cultural, que pautou o território e suas potencialidades artísticas. A programação contou com a exibição de curtas de realizadores crias da zona oeste e roda de conversa com os diretores, exposição artística e fotográfica, e apresentações musicais e de slam de artistas da zo.
Os artistas convidados que fizeram presença no evento do sarau foram: a poeta de rua, slammer e rapper Alexsandra Francini (@franccini._); o artista visual Arthur Ensenat (@ensenatzo); o artista visual, cênico, circense e músico Luciano Meirelles (@artesdolulu); o músico Oklin (@oklin_rj) e o fotográfo Rodrigo Mattos (@bichocidadao).
Os curtas exibidos foram “Contra a Maré“ (2023), de Hugos Santos (@hugosantoszo) e Livda Ribeiro (@livdalivda), “Um Filme À Moda Bangu“ (2026), de Gabriel Menna (@_gabrielmenna) e Rodrigo Mattos (@bichocidadao), “Crônicas de Santa Cruz“ (2023), de Ynara Noronha (@noronhaynara). Todos retratam diferentes histórias, memórias e narrativas de bairros da zona oeste, respectivamente, Sepetiba, Bangu e Santa Cruz.


Historicamente, o território da zona oeste sofre com um projeto de apagamentos, distanciamentos e desigualdades. O nascimento do CINE44 é a manifestação do desejo de criar espaços de coletividade, escuta e troca entre moradores. Feito da comunidade para a comunidade, com o objetivo de ocupar o território da extrema zona oeste com conversas que reverberem as realidades da região. É trazer os 44 bairros que compõem a área para o centro do debate.


Como símbolo dessa iniciativa, o CINE44 elaborou um documento de manifesto, em que expõe o compromisso de ser um lugar “onde o cinema sirva para pensar nossa realidade, fortalecer nossos vínculos e construir novas possibilidades coletivas”.


instagram.com/coletivoterracodasartes
Assim como não é pejorativamente margem.
A Zona Oeste pulsa e emana cultura, memória, trabalho, resistência, luta e arte. São 44 bairros atravessados diariamente por milhares de histórias que raramente aparecem nas telas, nos jornais ou nos espaços culturais das áreas centrais da cidade, fora do fetichismo ou apontando, exclusivamente, como palco de violência. Ainda que o poder nos tire como “distância”, demonstremos que temos muito a contar e mostrar!
É dessa necessidade – e também desse sonho e ideário coletivo – que nasce o Cine 44.
Construído a partir das experiências de cine-debate e das parcerias que temos construído através dos esforços do Movimento de Organização de Base (MOB) em sua cooperação com o Terraço das Artes, o Cine 44 surge como um espaço permanente de encontro, formação, arte e cultura popular na Zona Oeste.
Mais do que simplesmente exibir filmes, queremos criar um território de troca. Um espaço onde o cinema sirva para pensar a nossa realidade, fortalecer os nossos vínculos e construir novas possibilidades coletivas – o que não deixa deixa de ser um ato político. Conversar, refletir e imaginar futuros em conjunto também faz parte da luta.
O Cine 44 carrega no nome os 44 bairros da Zona Oeste. Carrega Paciência, Santa Cruz, Campo Grande, Bangu, Realengo, Sepetiba, Pedra de Guaratiba, Senador Camará e tantos outros territórios historicamente esquecidos pelas políticas da cidade. Nosso cinema nasce justamente do contrário do abandono: nasce da atividade e prática coletiva!
Um cinema que reconheça a cultura como direito e não como privilégio.
Lançar o Cine 44 é afirmar que a Zona Oeste produz pensamento, arte e crítica. É afirmar que nossos territórios merecem espaços permanentes de cultura e convivência. É afirmar que não queremos aceitar que decidam por nós quais narrativas importam e quais histórias podem ou devem ser vistas.
Seguimos acreditando na construção coletiva, na ocupação cultural dos territórios e na força da organização popular.
E o povo também faz cinema.
