Por Repórter Popular PA
No município de Belém (PA), o projeto de destruição das carreiras de docência e das demais categorias da educação continua a pleno vapor, surpreendendo os servidores e servidoras desde o final do ano passado e adentrando esse ano de 2026. O projeto em questão leva insegurança e perda de estabilidade para os trabalhadores.
Além disso, o governo também vem espalhando notícias falsas através dos meios de comunicação de massa (especialmente nos de sua família, os Barbalho) e redes sociais, a fim de colocar a população contra as manifestações de insatisfação dos servidores e servidoras.
Diante do Projeto de Lei que altera o Estatuto do Magistério enviado à Câmara Municipal e que tem sido chamado de “pacote de maldades” pela categoria da educação, além da divulgação de fake news nos meios de comunicação – inclusive expondo professores ao anunciar que terão aumentos que elevarão seus salários a mais de R$ 15 mil, e das oportunidades desiguais de informação que a grande mídia impõe, decidimos dar voz a quem vem sentindo na pele as ameaças que os servidores e servidoras da educação estão sofrendo com a implementação de um PL.
Esse projeto prejudica não só os profissionais, mas também o público-alvo da educação, que são justamente os filhos e filhas da classe trabalhadora.
O Repórter Popular traz a entrevista concedida pelo professor de artes Márcio Siqueira, lotado no Distrito Administrativo de Icoaraci (DAICO), que tem melhores condições de nos passar uma visão de quem está participando diretamente dessa luta pela educação pública municipal junto à sua categoria e ao conjunto dos servidores públicos do município de Belém, que iniciaram uma greve geral nesta segunda-feira (19).
Confira abaixo:
Repórter Popular (RP): Quais são as motivações da mobilização para o movimento grevista da categoria da educação no município de Belém?
Prof. Márcio Siqueira (MS): As motivações são várias, mas nesse momento é sobre o PL que o prefeito mandou para a Câmara Municipal e que foi aprovado sem discussão alguma com a nossa categoria, sendo que o mesmo traz uma reforma do magistério que prejudica o trabalhador da educação, tirando direitos que conquistamos há décadas através de muita luta. E o mais recente ataque é o modelo de lotação, no qual professores de artes e educação física, que vão trabalhar em escolas de tempo integral, terão que ministrar aulas de artes, educação física e leitura, mesmo sem ter a formação para isso. Eles batizaram de AML (arte, movimento e leitura).
RP: Qual é o posicionamento da Secretaria Municipal de educação diante das reivindicações dos trabalhadores e trabalhadoras da educação?
MS: A posição da Semec é de não receber a categoria para dialogar. Várias vezes o secretário confirmou presença e desmarcou em cima da hora. Hoje o trabalhador da educação não pode nem passar da recepção da sua secretaria para nada. Só entra se for convidado. Se o mesmo tem algum problema para resolver, fica complicado. Recentemente acionei o Ministério Público (MP) por conta disso. Eles dizem que agora tudo é online, mas eu mesmo tenho um processo que protocolei dessa forma em outubro do ano passado e até agora a Semec não acusou o recebimento.
RP: Quais têm sido as estratégias de mobilização do sindicato para garantir boa adesão ao movimento e à greve?
MS: O sindicato tem convocado a categoria, principalmente através das redes sociais, para assembleias e atos, mas vejo hoje o pessoal muito disperso. Alguns colegas de profissão estão tão inertes que já não têm mais ânimo para a luta, aceitando o açoite governamental. Acho que, passado esse momento, há que se fazer um trabalho para reerguer a vontade de luta da categoria.
Recentemente, tive a oportunidade de conversar sobre isso com alguns membros do Sintepp de Ananindeua (PA), já fui professor desse município antes de ir pra Belém, e falava de utilizar a arte e a cultura para aproximar mais a categoria promovendo apresentações, até mesmo com professores que também atuam nesse meio, e nesses eventos fazer um trabalho de conscientização para que, futuramente, tenhamos profissionais politicamente mais esclarecidos e que possam fortalecer a nossa luta.
RP: Como você, particularmente, vem sentindo ou percebendo a força do movimento? A adesão é boa ou há resistência da categoria? A tendência é crescer o movimento no decorrer das semanas? Quais as avaliações?
MS: Tem crescido, mas ainda timidamente. Muitos têm medo de paralisar ou grevar. Tento fazer a minha parte, mas tem colegas da minha escola que estão acreditando que no próximo pagamento já receberão R$ 16 mil de salário, como foi noticiado no jornal da família Barbalho. Já arrumei muita briga por conta do meu posicionamento e a mais recente foi com a direção da escola, pois queriam que eu fizesse uma apresentação de carimbó para o prefeito e comitiva, no último dia 15, por ocasião da inauguração do novo prédio da escola e eu disse que não.
RP: Existe um canal direto de comunicação ou um plano para explicar à comunidade escolar (estudantes, responsáveis, moradores do entorno das escolas) os motivos da greve e, assim, ganhar o apoio da população?
MS: Não. Diferente da escola do Estado onde trabalho, na escola do município, estou só nessa luta. Acho que nessa questão o sindicato teria que ter uma maior atuação.
RP: Como a grande mídia vem tratando o movimento da categoria? Publicam as notícias, ignoram para o desconhecimento da população, promovem notícias falsas?
MS: Como sempre, a grande mídia atua de forma mercenária. Não bastasse os meios que a família Barbalho já tem de contar mentiras, os outros nunca falam da real essência da nossa luta. Estão sempre tentando colocar a população contra nós.
RP: Como você avalia essa aliança entre as categorias como forma de pressionar o prefeito de Belém a voltar atrás em suas medidas contra os servidores e servidoras do município? Quais as vantagens para a categoria da educação ao aprovar a adesão à greve geral?
MS: A união das categorias é de extrema importância, pois uma fortalece a outra. Na prática, isso ficou evidente no ato de protesto que ocorreu no último dia 12, por ocasião do aniversário de Belém. O prefeito ficou acuado e sentiu a força que temos, mas se faz necessário que mais profissionais se juntem à essa luta. A aprovação de aderir à greve geral é um meio de engrandecer nossa força.
