Negligência médica e sucateamento da saúde pública expõe jovem ao risco no Hospital do Andaraí

Por Repórter Popular – RJ

O jovem Alexandro Antônio, morador do Turano, zona norte do Rio de Janeiro, foi internado no Hospital do Andaraí com forte dores abdominais. Seu caso tem sido negligenciado, postura que, somada ao sucateamento do hospital, vem expondo o jovem ao risco. Desde que denunciou o caso publicamente, ele está sendo ameaçado de processo e recebeu indicação de uso de medicamento antipsicótico atípico, usado em pacientes com transtornos mentais, sob alegação de que estava agitado.

Ao ser internado, o jovem descobriu que durante uma cirurgia realizada em 2013 esqueceram um cateter dentro da sua barriga. Esse objeto ficou próximo ao seu rim, criando um fenômeno conhecido como formação de aderências, que é quando o corpo humano reage ao objeto estranho criando bandas de tecido fibroso (cicatricial) que envolvem o objeto e podem ligá-lo a órgãos próximos.

Alexandro foi internado no dia 24 de novembro, de lá para cá realizou duas cirurgias a laser que retiraram cálculos renais e um pedaço do cateter, porém não tiraram tudo devido a este estar enraizado em seu rim. Apesar de estar sentindo forte dores abdominais, vomitando e urinando sangue, seu estado tem sido negligenciado. Os médicos se recusaram a fazer uma endoscopia, pois disseram que não era um caso de tanta necessidade. O uso de morfina para aliviar suas dores só foi feito depois de muita insistência por parte da família. O jovem foi levado para uma tomografia e, ao chegar no local, não havia nada agendado e ele teve que retornar ao quarto sem ter feito o procedimento. Foi colocado em 18 horas de dieta zero, pois iria fazer uma cirurgia, mas na hora descobriram que não havia cirurgia marcada, o que o fragiliza ainda mais. Alexandro entrou com 84 kg e agora está com 76 kg em decorrência dos vômitos.

Os médicos buscaram jogar a culpa no paciente, ao dizer que ele não teria voltado para retirar o cateter, quando na verdade ele não havia sido informado de nada. Não se sabe, inclusive, se o cateter foi deixado propositalmente ou esquecido por negligência. Desde que teve conhecimento do cateter, se passaram um ano de idas e vindas nos hospitais e unidades básicas de saúde, até que foi internado novamente no hospital do Andaraí.

   

Sua família decidiu publicizar o caso ao ver que, desde as cirurgias, ele está desassistido. As fotos e vídeos divulgados pela família demonstram que o jovem está se contorcendo e chega a chorar de dor, além de também aparecer vomitando sangue.

Foi após a publicização do caso que os médicos ameaçaram o jovem de processo e tentaram fazer com que ele usasse o medicamento risperidona. Apoiadores do jovem temem que o uso do remédio tenha sido motivado para deixá-lo dopado e incapaz de seguir com as denúncias, especialmente porque foi negada a informação sobre qual médico teria receitado a droga.

A falta de assistência preocupa a família e toda comunidade do Turano, onde Alexandro é muito querido.

A municipalização do Hospital Federal do Andaraí

O Hospital do Andaraí foi municipalizado em acordo entre o governo federal e a prefeitura do Rio de Janeiro. Seu orçamento está congelado há cerca de 10 anos. Uma entrevista realizada pelo jornal O Dia com a auxiliar de enfermagem e dirigente do Sindsprev/RJ, Cristiane Gerardo, joga luz na raiz do problema:

“Uma mentira contada cem vezes se torna verdade. Somos 7.257 servidores federais na rede do Rio, temos um déficit de mais de 8 mil trabalhadores. O orçamento do Hospital Federal do Andaraí é de cerca de 130 milhões, congelado há 10 anos. Do Cardoso é cerca de R$ 100 milhões igualmente congelado à 10 anos. Eduardo Paes e Soranz receberam R$ 760 milhões, mais que o triplo!”

O orçamento executado para o Hospital do Andaraí está muito aquém do planejado, como mostra a tabela publicizada pelo Rio Saúde.

Fonte: https://saude.prefeitura.rio/wp-content/uploads/sites/47/2025/11/RELATORIO_TRANSPARENCIA_DECRETO_RIO_HOSP_FEDERAIS_17.11.2025.pdf?utm_source=chatgpt.com
Fonte: https://saude.prefeitura.rio/wp-content/uploads/sites/47/2025/11/RELATORIO_TRANSPARENCIA_DECRETO_RIO_HOSP_FEDERAIS_17.11.2025.pdf

Somente este ano, servidores do hospital já denunciaram a falta de acesso a água potável por parte dos trabalhadores e pacientes, que durou mais de um mês, o que os fez arcar com seus próprios bolsos a compra de água mineral. Pacientes de quimioterapia, que recebiam dois copos d’água antes das sessões, passaram a receber um. O esvaziamento do corpo profissional já chegou a gerar até mesmo uma denúncia de uma paciente que recebeu alimentação com bichos.

O cenário de sucateamento que se estende há anos vem gerando uma situação de trabalho precária que afeta diretamente os pacientes e também os servidores, pois muitos manifestam desejo de ser removidos para outra unidade.

3 comments

  1. Absurdo, ver pessoas dependerem da saúde e NÃO terem respaldo, e essencial ter bom atendido.
    Minha mãe diabéticas, sem insulina e Alexandro que conheço desde pequeno trabalhador honesto, e mesmo que não fosse merece saúde e o principal RESPEITOOOO, vcs estudaram pra isso, FAÇAM com maestria, POIS VCS não são donos de fazenda e nos não somos GADO

  2. O que estão fazendo com meu primo é de extrema negligência,ele se encontra com dores quase não dorme ,alguma providência tenque ser tomada muito triste vê-lo assim

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