Professor da Engenharia Mecânica (UFRGS) faz comentários racistas em sala de aula

Foto: Mara Gomes

Rebemos a denúncia à seguir de um estudante de Engenharia Mecânica que não quis se identificar. As frases entre aspas não são literais, mas sim aproximações do que foi dito pelo professor.

Denúncia de racismo
Na quinta-feira, dia 14/09, em uma aula da disciplina de Conformação Mecânica (Engenharia Mecânica) ministrada professor Lírio Schaeffer, o professor fez comentários absurdos. Após uma questão de cálculo que nenhum aluno soube responder, o professor fez o seguinte comentário:

Vamos lá gente, isso aqui é coisa básica, de segundo grau… Não pode ser, será que vocês são todos cotistas? Ah não, mas é tudo branco, não tem nenhum negro aqui.”

Nesse momento, um dos únicos estudantes negros saiu da sala para evitar entrar em conflito com o professor.

Perto do término da aula, outro estudante levanta a mão e pergunta:

 

Professor, eu gostaria que você esclarecesse o que disse a respeito de negros e cotistas, que são menos capazes?”

Nesse momento, o professor “se desculpou”, e afirmou que na verdade, quis dizer que em sua percepção, cotistas possuem mais dificuldades com cálculo. Outro estudante interveio, questionando a informação e o professor diz:

 

Eu falei negros? Bah, quis dizer cotistas.”

O estudante afirma que fez já a denúncia para movimentos sociais. O jornal Reporter Popular se compromete em acompanhar os próximos desdobramentos.

Balanta organiza ato para denunciar fraudes nas cotas

Aproveitamos para lembrar que no dia 15/09, a partir das 8h da manhã o movimento Balanta – Nenhum Cotista a Menos está convocando um ato para acompanhar a reunião do CONSUN, que terá como pauta a COMISSÃO DE AFERIÇÃO DA AUTODECLARAÇÃO. O movimento, que já denunciou mais de 400 fraudadores, afirma que a comissão terá um papel importante no processo de evitar a continuação das fraudes nas cotas.

17 comentários em “Professor da Engenharia Mecânica (UFRGS) faz comentários racistas em sala de aula

  • 14/09/2017 em 21:21
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    se todos tem a mesma capacidade pq dão cotas? pra facilitar pra uns ? pq facilita se somos todos capazes? ou será que alguns são menos e precisam de uma ajudinha extra chamada cota?

    • 15/09/2017 em 00:45
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      não tem a ver com capacidade e sim oportunidade, e isso sabemos que nem todos tem as mesmas.

    • 15/09/2017 em 00:53
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      Podemos ver claramente que Rafael Portalupi defende a discriminação.

    • 16/09/2017 em 06:38
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      Quem é você pra falar em capacidade,se você nem não enxerga(ou se faz de besta)o quanto é negado aos negros?Imagino o que seria este país com alguém como você como presidente.Seria uma cópia desgraçada de Bolsonaro,não é?Se você aceitasse um conselho,eu recomendaria que lesse a história da escravidão ou pelo menos lesse os jornais de vez em quando pra saber o que é a vida para nós,negros aqui.Mas,primeiro você precisaria aprender a ler.. Espero que você não durma em paz nunca mais,você não merece..

      • 16/09/2017 em 06:51
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        Ah,esqueci de um detalhe importante:foram comprovadas muitas fraudes no sistema de cotas,por pessoas que tem condições de bancar seus estudos.E tenho certeza que são os mesmos patifes que gritam contra as cotas,como aconteceu e continua com os detratores da Dilma e do Lula.Quase todo dia um deles é descoberto como ladrão de alguns milhões.
        ..

  • 15/09/2017 em 19:37
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    Não é ‘ajudinha”não é reparação com 400 anos de atraso, e caso não saiba quem teve ‘ajudinha” foram o imigrantes brancos que vieram para o Brasil ganharam terra, insumos e recursos financeiros. E, tem mais qualquer país civilizado que queira ser competitivo no cenário mundial investe em educação, proporciona aos que foram alijados desse processo os acessos necessários e não adianta fazer mimimi cotas agora, cotas em quando forem necessárias, cotas sim.

    • 16/09/2017 em 23:39
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      “… ganharam terra, insumos e recursos financeiros.” Não é verdade. As terras foram compradas. Os insumos, quando recebidos, de pouco serviram. Recursos financeiros? Somente pagamento por trabalho em “frentes de trabalho”.

  • 15/09/2017 em 20:47
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    Vergonha de tanta ignorância. Alguém que tem casa, comida e roupa lavada disputar em igual medida com pessoas que, muitas vezes, só tiveram refeição decente na merenda da escola, pública e precária aliás. Ignorância também que desconhece a menor evasão maior dedicação entre estudantes cotistas. Não podem ser mais aceitos piadinhas e comentários preconceituosos dessa natureza.

  • 16/09/2017 em 04:48
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    Como posso fazer contato com o Jornal?
    Lirio Schaeffer

    Em resposta a noticia publicada no Jornal Popular (por Rafael Garcia) gostaria de me retratar. Gostaria de aproveitar a oportunidade para me desculpar perante a sociedade pelo erro que cometi. Desculpei-me em sala de aula para todos presentes, peço perdão ao aluno que saiu da sala. Com 71 anos de idade e mais de 40 anos ministrando a disciplina, que é uma das mais importante das engenharias, pois trata da transformação do abundante minério brasileiro, exportado a preços baixos, em peças de alto valor agregado. Entusiasmado e pela não resposta de uma pergunta que fiz cometi esta ignorancia. Fui aluno da UFRGS, não havia esta lei tão rígida. Sempre brincávamos com a liberdade que tínhamos. Que sirva de lição ao pessoal da minha idade… Em minha equipe tenho alunos de graduação, mestrando e doutorando negros atualmente (no passado orientei muitos) e tenho certeza que jamais cometi um deslise desta envergadura,

    • 19/09/2017 em 10:51
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      Seguiu o exemplo do Josér Mayer, sou um pouco mais jovem do que o senhor, mas acho que desde o seu tempo o preconceito ja existe fortemente, as pessoas discriminadas é que não tinham esse pouco respaldo que tem hoje pra se defender de gente da sua idade, pra um homem tão sábio, é uma justificativa muito vaga, mas que bom que pediu desculpa, é o mínimo, que sirva de exemplo pra outras pessoas da sua idade, e que percebam que o mundo não gira ao redor do seu umbigo, o seu direito começa onde o odo outro termina, e esse outro, pode ser negro, branco, amarelo, moreno, mulato, índio, homem, mulher, etc. O senhor devia ta curtindo a vida em uma ilha paradisíaca, deixe a vaga de professor pra gente de mente aberta, já que tem dificuldade de se adaptar ao modelo atual, que é o respeitar o espaço do outro, bom dia.

    • 19/09/2017 em 20:41
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      Idade, formação e status não são desculpas para racismo. Se não consegue dar aula sem ser racista, melhor se aposentar.

  • 16/09/2017 em 23:34
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    Professor, não se desculpe. Para quem lhe conhece, não é necessário; para quem não lhe conhece (e já o está apedrejando), não adianta.

    • 17/09/2017 em 12:27
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      Não se desculpar? Depois de uma manifestação extremamente racista da parte dele… o minimo que ele deve fazer é se desculpar. Pelo visto você concorda com o que foi dito e apoia o preconceito, lamentável!!

      • 17/09/2017 em 13:12
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        Já que não entendeste, repito: para quem o conhece, não é necessário; para quem não o conhece, não adiantará de nada, pois continuará a ser execrado, independente de décadas de ensino e pesquisa.

        • 17/09/2017 em 21:38
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          o que foi dito, foi dito. pedir desculpas é sim o MÍNIMO a ser feito!

          • 18/09/2017 em 09:19
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            É que não vai adiantar. Ele já foi julgado e condenado. E sem atenuantes.

  • 19/09/2017 em 10:58
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    Os colonizadores europeus aqui chegaram, fugidos da guerra, e ainda chegam arrotando arrogância. As mesmas terras que lhes foram vendidas, forma roubadas dos verdadeiros donos, OS ÍNDIOS, é impressionante como as pessoas não querem enxergar, e ai vem com essa conversa de colonizadores, me poupe. Tenham vergonha e respeito pela sua história, e pq quem já estava aqui de vcs.

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