Nota de solidariedade: lutar não é crime!

Mesmo que nos indigne, não nos surpreende que o período de arrocho, de reformas e de aumento na tensão de classes seja, também, um período de endurecimento da repressão àquelas e àqueles que lutam.
A perseguição aos movimentos sociais e políticos, aos lutadores e lutadoras, às pessoas do povo que se levantam contra os ataques nos direitos e nos futuros dos de baixo, obedecem a uma agenda e a uma lógica dos nossos tempos de estado policial de ajustes.
Desta vez, nossos companheiros da Federação Anarquista Gaúcha – FAG, assim como espaços de cultura e de resistência também atingidos, o Parrhesia e a Ocupa Pandorga, foram alvo de factóides inventados pela polícia do Sartori (PMDB), que não paga em dia os servidores mas segue enchendo os cofres dos aparatos repressivos e de “inteligência” – e ecoados pela mídia numa tentativa clara de desmobilizar e de aterrorizar quem não se submete em silêncio.

Com mandados de busca e acusações de crimes como ‘associação criminosa’, a Polícia invadiu clássicos locais de resistência em Porto Alegre e apreendeu “perigosos materiais” como livros, garrafas pet e objetos artísticos, alegando que a organização política anarquista é “um grupo do mal”.
Nós, da Resistência Popular, estendemos nosso ombro amigo e nosso abraço fraterno às organizações e as pessoas amigas perseguidas, firmes lutadores e lutadoras, nos comprometemos a seguir marchando, como sabemos que seguirão nossos companheiros, sem medo e com obstinação, nas ruas e nos movimentos populares e nos pusemos firmes e dispostas(os) para todo apoio e toda solidariedade de que precisarem os grupos e pessoas atacadas.
Sabemos que os tempos são de violência, tanto nos parlamentos quanto nos tribunais, e que os de cima farão de tudo para destituir de direitos e amedrontar os de baixo.
Erguemos nossos punhos e juntamos ombro com ombro porque não é tempo nem de se intimidar, nem de desmobilizar, mas de rodear de solidariedade os trabalhadores, dentro e fora do campo libertário.
Seguimos em marcha, sem baixar a cabeça, atentos aos ataques e vigilantes à repressão.

LUTAR NÃO É CRIME
CONTRA A PERSEGUIÇÃO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS
CONTRA A FARSA JUDICIAL DO APARATO REPRESSIVO

RODEAR DE SOLIDARIEDADE OS QUE LUTAM!

Resistência Popular
Outubro de 2017

Rodrigo Mendes

Graduando em Letras pela UFRGS, colunista do jornal Repórter Popular e da revista de arte Artrianon, professor de literatura na ONGEP, atualmente pesquisa sobre o Racionais MC's.